Conheça as verdades e mentiras sobre as doenças do coração e os seus dentes

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Você certamente já ouviu falar que a má conservação dos dentes pode acarretar problemas cardíacos. Achou exagerado? Então fique atento: o tabagismo, o alcoolismo e o colesterol são fatores tão perigosos quanto a falta de tratamento odontológico.

A notícia vai além da odontologia e pode chegar aos estetoscópios dos cardiologistas: a endocardite infecciosa é uma doença mais comum do que se imagina. O alerta vem do Departamento de Odontologia da SOCESP – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. “Trata-se de uma infecção da parede interna do coração ou das válvulas do coração e uma de suas causas é a má conservação dos dentes”, conta a especialista Rosane Menezes Faria, em artigo publicado no site da instituição.

A endocardite infecciosa, segundo os especialistas, ocorre quando há presença de micro-organismos, como bactérias no fluxo sanguíneo, e elas encontram tecidos cardíacos danificados ou válvulas cardíacas anormais, onde podem se multiplicar livremente, causando uma infecção. Se o paciente tem alguma predisposição, há maior probabilidade de desenvolver a doença.

E não é só ela: a febre reumática também é outro fantasma relacionado aos dentes e também ocorre devido à alta incidência de cáries nos dentes e de doença periodontal (gengivite e periodontite). Ela acomete as válvulas do coração, principalmente as do lado esquerdo, deixando-as propícias ao desenvolvimento da endocardite. Uma evolução nada desejável.

Outro fator que aumenta as chances de desenvolver a doença, segundo os cardiologistas, é a presença de cáries: os procedimentos para tratamento podem causar a passagem das bactérias para a corrente sanguínea. Estas bactérias, por sua vez, podem causar endocardite em pessoas predispostas. Algumas doenças periodontais, como gengivite e periodontite, também aumentam o risco.

Por isso, fique atento a alguns sinais importantes: a gengiva deve ter coloração rósea claro, não deve sangrar durante as escovações, não apresentar inchaço e ter boa aderência aos dentes. E se a pessoa tem algum problema cardíaco já existente, é imprescindível procurar um dentista regularmente e apresentar uma boa e cuidadosa higiene oral. Pessoas sem dentes, transplantados cardíacos e que fazem uso de anticoagulantes também precisam ter atenção redobrada.

Por meio de radiografia e um estudo mais minucioso, o dentista poderá detectar e tratar os focos infecciosos, antes que eles tenham desdobramentos mais sérios na sua saúde.