Prosecco vira “vilão dos dentes” e provoca revolta dos italianos

Juliana Damasceno
Italianos ficaram furiosos com a notícia exagerada em jornal inglês sobre os males do prosecco na boca dos consumidores.

Na última semana, os inventores de um dos vinhos mais badalados (e consumidos) do mundo sentiram a terra tremer – e os dentes rangerem. Dentistas britânicos alertaram para os perigos do borbulhante prosecco para a saúde bucal – e deixaram os consumidores, especialmente os italianos, em pânico.

O vinho, originário do norte da Itália, foi o vilão dos últimos dias. De acordo com especialistas, ele poderia “apodrecer os dentes”, deixando um “sorriso prosecco”, como anunciou o jornal inglês The Guardian, que elencou “seis razões para abandonar o consumo” da bebida.

Quem não gostou nada foram os “donos da bola”: as notícias irritaram bastante os italianos, fãs e criadores da especialidade. Até o ministro da agricultura local usou a rede social Twitter para provocar os vizinhos: “Caro Guardian, o prosecco também faz os ingleses sorrirem, parem de publicar notícias falsas!”. A publicação foi retirada do ar, horas depois.

O curioso de toda essa pendência diplomática é: nenhum estudo científico foi citado. Mais que isso: a Grã-Bretanha é a maior importadora de prosecco do mundo – só em 2016, as vendas subiram 33% em relação ao ano anterior. Também por isso, ninguém entendeu muito bem a guerra declarada à bebida no momento.

Segundo especialistas da British Dental Association, a combinação de álcool, açúcar e o processo de carbonatação do prosecco pode erodir o esmalte e causar lesões graves aos dentes. E não parou por aí: os dentistas compararam a quantidade de açúcar a uma cola, que poderia agredir severamente os dentes e seus consumidores.

Apesar das desculpas posteriores pela total falta de cuidado no anúncio – que chegou a ser associado a uma questão política, pela saída da Inglaterra da União Europeia, após o plebiscito Brexit -, o mal-estar já estava instaurado. Políticos, vinicultores, amantes da bebida, todos nos noticiários locais tentando defender seus interesses.

Alheia às questões diplomáticas, a Dra Adriana Canassa, ortodontista e periodontista, afirma que há um certo exagero nas declarações britânicas sobre o prosecco. “Assim como todas as bebidas ácidas, o vinho também pode afetar nossos dentes. Mas não mais ou menos do que refrigerantes, smoothies e até o champanhe”.

A especialista acrescenta uma dica importante, ainda sobre o consumo de bebidas em geral. “É sempre importante lembrar de escovar os dentes e higienizar a boca uma hora depois do consumo destes produtos, se possível”.

Enquanto italianos e britânicos declaram guerra, a gente consome mais uma taça borbulhante com moderação, aguardando os desdobramentos desta “guerra”. Afinal, na última festa de Natal da associação inglesa ligada à odontologia, adivinhe só a bebida que foi servida aos convidados?