Por que preciso extrair os sisos e meus amigos não?

Juliana Damasceno
Foto: Reprodução/Pixabay

Não é nada fácil: aquele incômodo que se transforma em dor, do nada. Nenhum indício de cárie, de trauma. E aí vem a notícia de extração, que vira uma estranha ansiedade. Você se lembra daquele colega do trabalho que precisou até faltar uns dias – e que tomou sorvete um tempão só para conseguir se alimentar. E o que era só um temor pode virar um grande pânico.

Mas, calma: todo esse movimento pode ser só um dente do siso, aqueles últimos molares de cada lado dos maxilares. Eles são também os últimos dentes a nascer, geralmente entre os 16 e 20 anos de idade – o que pouca gente sabe, inclusive.

Ao contrário do que se imagina popularmente, os sisos não nascem com a gente. E como são os últimos permanentes a aparecer na boca, geralmente não há espaço suficiente para acomodá-los. Isto pode fazer com que fiquem inclusos, presos embaixo do tecido gengival por outros dentes ou osso, podendo causar o famoso inchaço ou aquela dorzinha intermitente. Sem ter o espaço suficiente pra “morar” na sua boca, eles podem erupcionar parcialmente ou nascerem mal posicionados, causando problemas.

A boa notícia, no entanto, é que como os dentes antes dos 20 anos de idade têm raízes em menor estágio de desenvolvimento, causam menos complicações ao serem removidos. Por isso mesmo, os dentistas recomendam que pessoas entre 16 e 19 anos tenham seus dentes do siso examinados para checar se eles precisam ou não serem extraídos.

Sabendo disso, agora você entende porque nunca passou pelas dores daquele colega do trabalho ou mesmo porque teve que enfrentar a cadeira do profissional e as dores, enquanto ele, sortudo, não tenha precisado. Cada caso precisa ser examinado de forma muito particular para não prejudicar o seu sorriso, no futuro.

Encare bem a hora de extrair

Uma dica para sofrer menos é pedir que o seu dentista examine seus dentes do siso antes que inflamem e comecem a doer. Uma análise preventiva pode evitar o sofrimento lá na frente. Se a dor já é inevitável, fique calmo: a extração dos sisos é aparentemente mais simples, justamente porque as raízes são menores que as dos dentes permanentes.

Se os dentes do siso forem impactados e incorporados ao osso, o cirurgião fará uma incisão na gengiva e removerá o dente ou dentes nas seções, para diminuir a quantidade de ossos sendo removidos. Após a cirurgia, inchaço e sensibilidade no rosto e pescoço são comuns, assim como hematomas – não se assuste. Bolsas de gelo e medicamentos para a dor prescritos pelo dentista podem ajudar a aliviar a dor.

E como dica de recuperação, é importante manter uma dieta leve, líquida, até que comece a sarar. Comidas frias ou em temperatura ambiente são indicadas porque o calor dos alimentos pode remover o coágulo da cavidade e causar infecções.

Aproveite o momento e delicie-se com sorvetes, milkshakes, pudins e gelatinas. Shakes de proteína também ajudam na nutrição diária. Mas beba direto do copo: canudos não podem ser usados no pós-operatório até que permitidos pelo cirurgião. Fumar também é proibido neste período. E claro: não esqueça de fazer aquela bela  e completa higiene bucal, depois de cometer estes “pecadinhos”.