Por que os dentes dos artistas eram mais amarelados nos anos 80?

Juliana Damasceno
Assim como os cigarros: produtos à base de alcatrão, nicotina e metais pesados, contido nos cigarros e cachimbos, mancham os dentes. E, naqueles tempos, o consumo era desenfreado em ambientes fechados, restaurantes, bares, nas novelas, nos filmes. (Foto: Getty Images)

Basta ligar nas novelas e programas antigos da TV e prestar atenção nos sorrisos dos artistas: dentes tortinhos, sem alinhamento, bem amarelados. E não, isso não tem nada a ver com a TV digital – aliás, com ela, imperfeições dentárias e de pele ficam ainda mais evidentes hoje em dia.

E nem as heroínas escapavam: em Tieta – exibida atualmente pelo Canal Viva -, Betty Faria encarnava a personagem principal. Sexy, insinuante, desejada. Mas os dentes… Mas dá para entender: a tecnologia dos alimentos e dos produtos para higiene bucal mudou completamente de lá para cá – ainda bem! E muitas das preocupações com a saúde e a nutrição da população ainda estavam longe de serem enfatizadas pela medicina, divulgadas com afinco pelo Ministério da Saúde, entre outros avanços.

Afinal, se você tem mais de 30 anos, certamente usou a tradicional Kolynos – aquela amarela e verdinha – depois de almoçar e por insistência da mãe.

Mas não era só isso: naquela década, a quantidade de doces e guloseimas para a criançada parecia infinita. Não havia controle sobre as publicidades desses produtos, nem alertas sobre o consumo exagerado de açúcar.

Assim como os cigarros: produtos à base de alcatrão, nicotina e metais pesados, contido nos cigarros e cachimbos, mancham os dentes. E, naqueles tempos, o consumo era desenfreado em ambientes fechados, restaurantes, bares, nas novelas, nos filmes. Os alertas sobre os perigos do câncer, advindos do fumo, ainda não eram obrigatórios nem na TV, nem nas embalagens dos produtos, como nos dias atuais.

São mais de 30 anos passados, mais de 500 de avanço da ciência odontológica. E aquelas amálgamas para restauração dos dentes (aquela massinha cinzenta, lembra?) são, definitivamente, coisa do passado – embora eficientes, conforme muitos especialistas defendem. Porém hoje, o tratamento preventivo é muito mais difundido, justamente para evitar problemas futuros.

A abertura de mercado, promovida pelo Governo Collor nos anos 90, trouxe muitas marcas importadas, aumentando a concorrência com as nacionais, e a adoção de comportamentos mais saudáveis também ajudado a manter os dentes mais bem cuidados. A odontologia estética também deu um salto enorme nos últimos 20 anos, o que não significa só um belo sorriso: aumenta a autoestima dos pacientes, sua confiança e, consequentemente, nossa forma de comunicação. São formas, cores e estruturas anatômicas mais apropriadas a cada boca.

Por fim, os implantes dentários ficaram mais reais, com cirurgias mais simples. Isso sem contar com a humanização dos tratamentos e dos próprios dentistas, o que naturalmente atraiu muito mais gente para os consultórios – até quem morria de medo dos profissionais da saúde bucal.

Aliás, se você não sabe, o Brasil hoje é referência mundial em áreas de saúde como cirurgia plástica, ortopedia e também tratamentos odontológicos. A cada ano, segundo profissionais da área, centenas de pessoas chegam ao país em busca de tratamentos, sobretudo no setor da estética. O Brasil hoje está na vanguarda da odontologia mundial entre os países que mais publicam trabalhos científicos em congressos e revistas científicas internacionais. A odontologia avança com uma gama variada de novas técnicas e tecnologia de ponta. Sorte nossa.