Os cuidados que hipertensos devem tomar com a anestesia no dentista

Não é qualquer anestesia que serve aos hipertensos, e eles devem saber fazer as perguntas corretas ao dentist a

Por Roberto Terini*

A ida ao consultório do dentista é um pouco mais delicada para os hipertensos. Se a anestesia for necessário, eles devem questionar o tipo a ser usada, possíveis efeitos, entender se a escolhida pode interferir na sua pressão arterial, se vai dar alguma reação. Deve-se lembrar que a hipertensão é a doença cardiovascular mais comum, considerando-se hipertenso o indivíduo que tenha pressão arterial maior ou igual a 140/90 mm Hg, sendo muitas vezes assintomática.

Cabe sempre uma interação entre o dentista e o médico a respeito das condições clínicas do paciente e, no caso do uso de anestesia, estabelecer-se um protocolo de atendimento seguro. Muitas vezes há a recomendação de se usar anestésico sem vasoconstritor, principalmente no caso de procedimentos curtos. Para cirurgias e procedimentos mais longos, o uso de anestésico com vasoconstritor é mais indicado, pois a duração da anestesia será maior, haverá maior controle de hemostasia no caso de sangramento e menor toxicidade.

A dor deve ser evitada ao máximo, sendo a principal responsável pelo estresse cirúrgico. As glândulas adrenais aumentam a produção de epinefrina e norepinefrina, o que eleva a pressão. A ansiedade e o medo também devem ser minimizados.

Por outro lado, o vasoconstritor mais indicado em procedimentos odontológicos é justamente a epinefrina que, em doses pequenas e administrada por via subcutânea, não causa quase nenhuma alteração na pressão arterial. Não deve ser feito nenhum procedimento quando a pressão atingir 160/100 mm Hg, indicando-se um atendimento médico para controle da pressão.

Os anestésicos mais indicados são a lidocaína associada com epinefrina, na concentração 1:100.000, no máximo 3 tubetes, ou prilocaína com felipressina, até 5 tubetes, desde que a pressão esteja controlada por medicamentos. No caso de urgência e o paciente com pressão descontrolada, usa-se um anestésico sem vasoconstritor, de acordo com a indicação do dentista. No caso de insuficiência cardíaca ou infarto do miocárdio recente, deve-se usar anestesia sem vasoconstritor, como a mepivacaína.

Deve-se ressaltar que o hipertenso já apresenta boca seca, aftas, inflamação da língua, redução do paladar e a anestesia, sendo tranquila e eficiente, produz menos ansiedade e exacerbação dos sintomas associados.

Assim, a orientação médica e o tratamento recomendado devem ser seguidos à risca e os procedimentos odontológicos não são contraindicados para o hipertenso, devendo-se estar atentos às interações medicamentosas e sempre medir a pressão antes do tratamento odontológico.

*Roberto Terini é dentista e escreve semanalmente para o Yahoo Saúde Bucal.