Os cuidados com os dentes com portadores da Síndrome de Down

No consultório, o paciente com Síndrome de Down costuma ser bastante carinhoso. Bom tratamento gera mais qualidade de vida. (foto: Getty Images)

Por Roberto Terini*

A Síndrome de Down está inserida entre as particularidades da Odontologia para pacientes com necessidades especiais, sendo uma condição genética que traz algumas características específicas nas pessoas portadoras da síndrome, trazendo graus variáveis de retardo mental, atraso no desenvolvimento motor e de linguagem. Elas apresentam algumas peculiaridades na saúde geral e bucal que necessitam da atenção multidisciplinar desde o nascimento.

Entre as manifestações orais mais comuns vemos cavidade bucal pequena, macroglossia (tamanho aumentado da língua), língua fissurada, palato (céu da boca) estreito, adenoide hipertrofiada. Estas características causam a respiração bucal, com boca e lábios ressecados. Há também maior incidência de doença periodontal e anomalias dentais, como fusão de dois dentes, ausências dentais e microdontias. Raízes curtas, malformações coronárias, mordidas cruzadas, apinhamento dental são outras manifestações. Por outro lado, a incidência de cáries é menor, devido ao atraso de erupção dos dentes e à capacidade tampão da saliva.

As dificuldades motoras influem negativamente nos cuidados com a higiene bucal, o que leva às doenças da gengiva, sendo importante a participação dos pais e familiares nessa função tão importante para a saúde do indivíduo. Como há uma deficiência imunológica, as doenças periodontais são mais severas, o que torna a colaboração na higiene desses pacientes ainda mais necessária. 

O portador da Síndrome de Down apresenta geralmente cardiopatia congênita, daí a importância de cobertura antibiótica antes de iniciar tratamentos bucais mais invasivos.

O atendimento odontológico deve começar no primeiro mês de vida, identificando as limitações e necessidades específicas de cada paciente. Assim, quanto antes se iniciar o atendimento, maior a colaboração do paciente e o seu acompanhamento. São pacientes muito carinhosos, que só querem um pouco mais de atenção e amor. O cuidado com a saúde desses indivíduos é trabalhoso, mas gera qualidade de vida e condições de se tornar um adulto saudável e ativo.

*Roberto Terini é dentista e escreve semanalmente para o Yahoo.