Mitos ou verdades: atletas com dentes bem tratados têm melhor desempenho?

Juliana Damasceno
Foto: Reprodução/Pixabay

Entre as muitas lendas sobre saúde bucal, uma das mais discutidas é justamente a que relaciona os dentes bem cuidados ao desempenho dos atletas de alta performance. Mas será mesmo que isso procede?

Claro que uma boa higiene bucal melhora a vida de todo mundo, isso é óbvio. Seja atleta amador, profissional ou mesmo um assumido sedentário. Mas será que podemos associar uma boca saudável a um resultado mais satisfatório? Você pode não acreditar, mas a afirmação é real!

Aliás, sabia que existe, inclusive uma área específica chamada Odontologia do Esporte? O objetivo dela é, justamente, investigar, prevenir, tratar, reabilitar e compreender a influência das doenças da cavidade bucal no desempenho dos atletas.

A ideia, segundo especialistas, é a de melhorar o rendimento esportivo e prevenir lesões, considerando as particularidades fisiológicas dos atletas, a modalidade que pratica e as regras do esporte. Justamente por conta destas regras, o atendimento odontológico aos atletas precisa ser cada vez mais personalizado, uma vez que certos analgésicos, antiinflamatórios e antibióticos são vetados pela comissão que avalia o doping nas competições.

Focos infecciosos e bacterianos prejudicam a preparação e a cura de lesões musculares. Além disso, estes mesmos focos podem se transformar em doenças cardiológicas – uma grande preocupação entre os atletas de altíssimo nível. Dentes tortos podem trazer dificuldades de postura e de respiração, um conceito essencial para a performance.

O consumo de isotônicos (muito açucarados) e alimentos (dietas ricas em carboidratos) também precisa ser monitorado, para evitar problemas de cáries e sensibilidade. Isso tudo sem contar os protetores bucais, que são desenvolvidos pelos especialistas para evitar traumas nos atletas que praticam esportes de alto impacto.

Para se ter uma ideia, em 2013, foi criada a Academia Brasileira de Odontologia do Esporte justamente para estudar e aprimorar estas questões.

O tratamento parece simples – como o nosso, pobres mortais. Porém, alguns dados deixam bem claro a diferença sutil: pesquisa do University College de Londres, realizada durante os Jogos Olímpicos na cidade em 2012, descobriu que 18% dos atletas disseram que sua saúde bucal teve um impacto negativo em seu desempenho e 46,5% não tinham ido ao dentista, no ano anterior às competições – uma média bastante alta.

Por todos estes fatores, dá para concluir que a saúde bucal é importante tanto para o bem-estar como para o desempenho esportivo dos atletas de todos os níveis. Entre mitos e verdades, é sempre bom ficar atento aos cuidados mais básicos.