Fissuras labiais e palatinas: qual o prognóstico?

Foto: Reprodução/Pexels

por Roberto Terini

As fissuras labiopalatinas, também conhecidas como “lábio leporino”, podem aparecer no bebê ainda dentro do útero, caracterizando-se por um fechamento incompleto do lábio e, algumas vezes, também do palato (céu da boca).

A fenda labial pode restringir-se ao lábio ou chegar até o espaço entre os dentes incisivo e lateral e alcançar o nariz. Na fenda palatina, pode ocorrer a comunicação direta entre o céu da boca e a base do nariz. E ainda essas duas formas podem se somar.

As causas dessas fendas são desconhecidas, admitindo-se um possível fator genético e alguns fatores de risco, como nutrição deficiente, radiação, fumo, álcool. Em torno do quarto mês de formação, juntam-se as duas metades do rosto e o sulco abaixo do nariz pode não fechar completamente, levando ao lábio leporino. Esse nome vem pela semelhança com os lábios de uma lebre. Podem ser identificadas na ultrassonografia ainda dentro do útero materno, aguardando-se o nascimento para estabelecer o tratamento.

As fissuras labiopalatinas não alteram apenas a estética. Trazem problemas como má nutrição, alterações na dentição, distúrbios respiratórios, auditivos e de fala. Influem também na autoestima e nas relações sociais. Assim, deve haver uma participação multiprofissional no tratamento, incluindo otorrinolaringologista, dentista, fonoaudiólogo, cirurgião plástico, entre outros.

A fissura labial pode ser reparada cirurgicamente nos primeiros meses de vida. A fenda palatina leva mais tempo e sua correção é feita por etapas. Enquanto essa correção vai se processando, a criança usa um aparelho ortodôntico que cobre a fenda e permite a alimentação. Os bebês devem ser alimentados com leite materno, seguindo as orientações do pediatra e deixando o bebê em posição mais elevada durante a amamentação.

A higienização deve começar logo após a saída da maternidade, com uso de gaze umedecida que deve limpar os resíduos presos em porções da fenda.

O tratamento é longo e só termina por volta dos dezoito anos de idade, com a consolidação dos ossos. Os indivíduos com fissura serão acompanhados pelos ortodontistas, fonoaudiólogos, psicólogos (neste caso, inclusive para os pais), cirurgiões plásticos.

A participação e o envolvimento da família são fundamentais para o sucesso do tratamento, seja nos cuidados clínicos, na alimentação e na inserção social do indivíduo, às vezes repelido pelos problemas estéticos e de fala. Este acolhimento o deixará com uma boa qualidade de vida.