Devo trocar minhas restaurações de amálgama?

(Foto: Pixabay)

Essa dúvida surge constantemente nos consultórios, sendo comum pacientes com restaurações de amálgamas (“platinas”) feitas há mais de dez anos. E agora, devo trocar por resinas da cor do dente?

Hoje a quantidade de restaurações de amálgama feitas no consultório é muito pequena, pois a exigência estética, aliada ao bom desenvolvimento das resinas, tornou a sua utilização muito restrita. A confecção do amálgama exige um desgaste maior do dente, porém sua durabilidade é grande, podendo ultrapassar os dez anos sem problemas. Com o passar do tempo, a corrosão da restauração pelo contato com o ambiente úmido veda a cavidade feita e protege contra novas cáries. Por outro lado, sua expansão tardia pode fraturar alguma parede do dente.

Estando a restauração íntegra, basta um polimento para aumentar sua durabilidade, sendo muito eficiente nos dentes posteriores. No caso de fratura ou trincas na restauração de amálgama, deve-se substituí-la integralmente. Eliminando-se a restauração antiga, que pode ser retirada em fragmentos, pode haver um pequeno desgaste na estrutura dental que será compensado com a colocação do material estético.

Sabe-se que na sua composição há a presença do mercúrio, material muito tóxico, inclusive para o meio ambiente. Porém, combinado numa liga metálica está na forma inorgânica e sua absorção pelo organismo é mínima, sendo eliminado na urina. Muito mais problemático é o mercúrio orgânico, encontrado em alguns peixes e mariscos, que causará uma série de sintomas no corpo humano. Há que se pesquisar mais sobre o assunto. O amálgama é um material centenário e não devem ser desconsideradas suas inúmeras restaurações já realizadas, mas à medida que surgem novos materiais estéticos, como as resinas e os materiais cerâmicos, que se aproximam da sua resistência, o paciente exigirá cada vez mais essa alternativa.

Para se indicar a troca por material estético, considera-se como fator preponderante a higienização bucal, que no caso das resinas é imprescindível. Margens escurecidas, novas cáries, trincas são algumas consequências para a resina de uma higiene deficiente, exigindo sua troca muitas vezes num curto espaço de tempo.

O amálgama suporta melhor essa deficiência na limpeza, daí sua importância também nos serviços públicos e para pacientes com necessidades especiais, onde há dificuldade para o tratamento e para a higienização pessoal.

Assim, para restaurações íntegras de amálgama sem implicação estética, não é necessária sua troca. No caso de fratura, infiltrações ou trincas, a restauração deverá ser trocada por um dos materiais estéticos disponíveis, que não terá ainda a mesma durabilidade do amálgama, mas já apresenta grande evolução nesse aspecto.

Caso você queira sua boca só com restaurações “branquinhas”, converse com seu dentista sobre a melhor indicação e a viabilidade da troca. Leve em consideração os prós e os contras e decida conscientemente. Dentes posteriores com pouco acesso devem ser bem avaliados. E a sua higiene bucal, com escova e fio dental, terá influência direta na maior ou menor durabilidade das restaurações estéticas na boca.

* Roberto Andrade Terini é dentista de adultos e crianças (CROSP 46020)