Conheça os mitos e verdades sobre o amálgama de prata

Juliana Damasceno
Há ainda muita lenda sobre as antigas obturações com amálgama. É preciso desmistificá-las. (foto: Getty Images)

As hoje modernas “lentes de contato” dentárias, que disfarçam as imperfeições dos dentes de forma quase imperceptível, um dia já foram uma mistura de mercúrio e prata – o chamado amálgama. Lembra dele?

De material relativamente barato e muito utilizada até algumas décadas, atualmente eles chegam a causar até certa desconfiança e desconforto, ante à modernização nos materiais arrojados do consultório. Especialmente por conta da veiculação de matérias recentes, apontando que parte dos componentes químicos do amálgama causariam males ao corpo.

Este tipo de restauração, hoje em dia pouco aplicada, é na verdade uma mistura de metais como mercúrio metálico, prata, estanho, cobre e zinco, em proporções diferentes. E, para muitos, por ser um material pesado e altamente tóxico, o mercúrio poderia causar dor de estômago, diarreia, tremores, depressão, ansiedade, gosto de metal na boca, dentes moles com inflamação e sangramento na gengiva, insônia, falhas de memória e fraqueza muscular, nervosismo, mudanças de humor, agressividade, dificuldade de prestar atenção e até demência.

A veiculação destas informações preocupou a Câmara Técnica de Dentística do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP). E numa tentativa de acalmar a população, a entidade lançou um comunicado em que desmistifica os males do procedimento, usado na odontologia há quase 200 anos.

Segundo o CRO-SP, simpósios sobre o tema foram realizados recentemente, com especialistas de diversas partes do país, incluindo estudiosos e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). E, para eles, o amálgama de prata é um material seguro e ainda tem, apesar de pequena, a sua indicação. E citou também entidades internacionais como a American Dental Association (ADA), que considera seguras a aplicação e remoção deste material.

Para o Conselho, “além de ter âmbito mercadológico e sensacionalista, informações como essas podem ainda – sem confiável embasamento cientifico – causar pânico à população”.

Especialistas consultados pelo blog afirmaram que, mais importante, é saber manusear o material – tanto no consultório como dentro da cavidade bucal, como qualquer outro produto de manipulação odontológica. E que as trocas pelas restaurações de resinas, nas cores naturais dos dentes, além de mais práticas, são também esteticamente mais interessantes para os pacientes.

Embora aparentemente durem menos que as “massinhas prateadas”, as resinas são mais resistentes nos casos de fraturas dentárias e infiltrações por cárie, além de serem versáteis e mais fáceis de manipular, em caso de reparos necessários.