Como vencer o fantasma da extração dos dentes

Como vencer técnica e os cuidados certos, não é preciso sofrer nem antes, nem depois da cirurgia

É sempre um drama e não importa a idade: o fantasma da extração de dentes consome adultos, adolescentes, crianças. E não vem sozinho, já que traz consigo o apanhado de várias lendas como consumir alimentos gelados, pouca movimentação e, claro, a pior delas que é o medo da dor intensa. Quem nunca passou por essa?

Para a dentista Adriana Canassa, a extração dos dentes contém um fator psicológico bastante importante e, por isso, mexe tanto com as pessoas. “Mesmo quem não tem medo da cadeira acaba sofrendo por antecipação. Afinal, muita gente encara a retirada dos dentes como uma mutilação. E isso é quase uma tradição, um senso comum, há muito tempo”, explica.

Mas saiba: com técnica e os cuidados certos, não é preciso sofrer nem antes, nem depois da cirurgia. “O pós-operatório merece mais atenção, já que, embora simples, o procedimento exige alguns detalhes bem específicos para ser bem-sucedido”, conta a especialista.

Antes de tudo, é preciso pensar que os espaços abertos pelas extrações não ficarão vazios: próteses e implantes serão necessários, até mesmo para não comprometer funções básicas da boca, como a mastigação, só para ficar num exemplo. Ou seja, não se preocupe com a questão estética.

Para além disso, evitar falar muito e tentar fazer um repouso com a cabeça mais elevada podem ajudar na cicatrização mais rápida. E não é necessário alimentar-se só de sorvete, como muita gente acredita: basta evitar alimentos muito quentes ou muito sólidos nos primeiros dois dias, já que eles podem sensibilizar e causar sangramento da região.

A hidratação é sempre bem-vinda, em qualquer caso de cuidados com a saúde, e com os dentes não é diferente. Tome bastante água nos primeiros dias e sempre.

A higienização continua a mesma, apenas um pouco mais lenta e cuidadosa. Tente fazê-la em frente ao espelho para observar bem o local da extração que está sendo limpo e não o ferir. Escovar com muita violência não é bom nem mesmo quando a retirada dos dentes não está em jogo, de qualquer forma. O bochecho também não precisa ser vigoroso: limpar bem não significa usar a força.

Compressas geladas nas bochechas da região operada, com o auxílio de uma toalha o algodão para evitar queimaduras, também são recomendadas. É melhor do que ficar passando a língua constantemente sobre o local.

Cigarros e bebidas alcoólicas também precisam ser evitados, ao menos nos primeiros dias de tratamento. E, claro, remédios sempre na hora certa e prescritos pelo dentista responsável – só ele sabe das necessidades da sua boca e como seu organismo reage a certos medicamentos. Receitas caseiras, nesta fase, não são a melhor opção.

Acima de tudo, não tenha medo. Com um pouquinho de atenção e cuidado, a cicatrização será rápida, eficaz e indolor. E não se esqueça de voltar ao consultório para a retirada dos pontos e avaliação geral da sua recuperação. O fantasma pode não ser tão perigoso quanto aparenta.